Segall pinturas
 23/06/2017 a 09/10/2018
Cumprindo nosso objetivo de divulgar a obra de Lasar Segall (1889 – 1957), um dos mais importantes nomes da arte moderna brasileira, o Museu Lasar Segall apresenta pinturas do acervo. A organização da exposição não é somente cronológica, mas também crítica, pois assinala as grandes transformações ocorridas na obra artística de Lasar Segall, desde seus primeiros trabalhos até a última produção da década de 1950.

Lasar Segall
Aldeia russa, 1912 (?)
Óleo sobre tela
A tela Aldeia russa inaugura, na pintura de Segall, o movimento de geometrização das composições, visível nas
gravuras Vilna e eu, 1910?, Aldeia russa, 1913? e outras litografias que registram suas impressões da terra
natal. Os primeiros planos, na pintura, antes em evidência, passam a se relacionar com um segundo plano anguloso.
Nesta tela, a moldura que envolve os personagens em destaque é o correr de casas baixas da aldeia, organizadas
em triângulos e prismas espelhados, pontuados pelos pequenos recortes da porta e das janelas. A simplificação
intencional das construções reforça o aspecto simbólico de pureza dessa cena de vida no campo.
Lasar Segall
Encontro, 1924
Óleo sobre tela
Lasar Segall
Paisagem brasileira, 1925
Óleo sobre tela
A vinda para o Brasil, no final de 1923, repercute intensamente na produção de Segall.
Ao trocar o clima opressivo da vida alemã pela amplidão dos espaços brasileiros,
uma revolução se processa em sua alma e em sua pintura. Mais tarde ele iria declarar
que foi em terras brasileiras que teve a revelação do "milagre da cor e da luz".
Seus motivos passam a ser: a paisagem do Rio de Janeiro, os morros com as favelas,
a vegetação luxuriante das fazendas do interior paulista, principalmente os extensos
bananais, e os tipos de mulheres e homens negros. O artista disciplina a emoção do encontro
com a natureza tropical fazendo uso de uma composição controlada pelas formas geométricas.
Esta tela mostra ainda que pintores modernistas, como Tarsila do Amaral, influenciaram na
mudança de rumo da pintura de Segall.
Lasar Segall
Dois nus, 1930
Óleo sobre tela

Segall nasce na cidade de Vilna, Lituânia, na época dominada pela Rússia do czar Nicolau II. Filho de um escriba da Torá, o texto sagrado do judaísmo, em 1906 o jovem judeu russo deixa a comunidade ortodoxa de origem para fazer sua formação artística na Alemanha. Freqüenta, por pouco tempo, as Academias de Berlim e Dresden, cidade para onde se transfere em 1910 e onde surgira, cinco anos antes, o grupo A Ponte, precursor do Expressionismo alemão. Em pouco tempo é reconhecido como representante da segunda geração dos expressionistas, jovens que revolucionaram toda a produção artística européia, com sua proposta de uma arte “interiormente verdadeira”. Esse período de sua vida, que inclui a Primeira Guerra Mundial, é de intensa militância artística na Alemanha, com repercussão direta na obra de todos os artistas. Segall reside em Dresden até 1921, quando volta a Berlim para, em fins de 1923, emigrar para o Brasil.

Lasar Segall
Jovem de cabelos compridos, 1942
Óleo sobre tela
Lasar Segall
Gado na montanha, 1939
Óleo com areia sobre tela
Lasar Segall
Pogrom, 1937
Óleo com areia sobre tela
A partir de 1937, sob o impacto das tensões que conduziram o mundo
à Segunda Guerra Mundial, Segall produziu uma série de pinturas de
grandes dimensões, retratando os eventos dramáticos que vitimaram
a humanidade, nos séculos XIX e XX. Pogrom, que trata da matança
dos judeus, é a primeira dessas telas. Surgem, depois, Guerra,
Campo de concentração, Êxodo, além dos desenhos aquarelados do Caderno
Visões de guerra 1940/43. O crítico Geraldo Ferraz aproximou o
Pogrom de Segall à tela Guernica, 1937, de Picasso: "Como se situaram
próximos esses dois quadros de tamanha verdade: [em Picasso] o cinza
recobre simbolicamente toda a atmosfera após o bombardeio e o incêndio
da cidade basca, [e no Pogrom] é a grande tragédia do povo judeu que
nos acusa em sua mobilidade".
Lasar Segall
Floresta crepuscular, 1956
Óleo com areia sobre tela
As florestas de Segall, cujas árvores não têm raiz nem copa, são
suportes verticais para a cor, mas não deixam de ser florestas.
ão florestas do pintor, em que percebemos o olhar do artista voltado
para suas recordações e para o interior da própria obra. As florestas
não indicam uma adesão formal à arte abstrata, em voga no Brasil
dos anos 1950, mas um retorno a uma de suas raízes, o cubismo figurativo.
Nas florestas, mesclam-se as tonalidades cinza de suas lembranças
da infância passada nos bosques de Vilna, aos ocres cezanneanos e
verdes-musgo, aos marrons quentes e às cores da terra brasileira que
ele admirava - "terra como cor vermelha, excitante e melancólica".

Em São Paulo, ele se aproxima do grupo dos modernistas. O desejo de integração no novo mundo se reflete na mudança do colorido de suas telas. No primeiro autorretrato feito no Brasil, ele pinta a face de marrom, irmanado aos tipos de negros e mulatos. Nas décadas seguintes, a pintura de Segall, de larga e profunda influência no meio artístico brasileiro, promove uma síntese emocionante entre sua herança européia e a capacidade de olhar e viver o novo. Sua pintura elaborada e reflexiva culmina nos retratos e nas paisagens de Campos do Jordão, na intimidade de suas montanhas e florestas de sombras e silêncios.

Serviço Abertura: 23 de Junho de 2017 Período: 23 de Junho a 18 de Setembro Aberto de quarta à segunda, das 11h às 19h Fechado às terças

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